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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Notícias de Angola

Foto: Missão de Mitcha com suas obreiras na periferia de Lubango

Lhe escrevo desde Angola. Estou desde sexta no país, tendo passado pela capital Luanda. No último fim de semana vim ao centro sul, mais especialmente para a província e cidade de Lubango, onde é a sede da Igreja Evangélica Luterana de Angola (IELA).

Foi uma experiência marcante poder participar do culto dominical que foi iniciado por um cortejo dos jovens da Congregação irrompendo pelas portas com canto e dança. Naquele ritmo e som que me lembrou (guardadas as devidas proporções) a cerimônia de abertura da última Copa do Mundo na África do Sul. Experiência de arrepiar e de guardar na lembrança para o resto da vida!

Pude pregar no culto para uma Igreja lotada até as bordas e com o tempo se estendendo até quase três horas. Participação especial das crianças, adolescentes, mulheres e homens, em seus respectivos grupos, sempre com canto e dança em língua e melodias nativas, como acontece a cada culto. Ninguém se furta de louvar seu Deus. Chamou-me a atenção que as pessoas aqui não dizem “vamos para o culto”, mas dizem “vamos cultuar”! Vocês percebem uma diferença?

Ao lado disto dá para perceber as gritantes necessidades. O povo é pobre, muito pobre! As condições são precárias. Falta luz, água, saneamento. O transporte público é um caos. Até gás de cozinha está faltando nesta região, em um país que é grande produtor de petróleo. Muitas pessoas trabalham a troca de um prato de comida. Os que tem emprego muitas vezes não ganham salário. Os estudantes sabem que se formarão e dificilmente acharão trabalho. E assim vai...

Quanto a Igreja, a IELA tem um orçamento total que não alcança a metade do valor do orçamento de um pastorado na nossa Igreja. Assim dá para entender que não haja dinheiro sequer para trocar as lâmpadas queimadas nas salas da sede. Com o teto de USD 150,00 por mês um pastor precisa manter sua família. Só que dos 56 pastores da IELA, apenas três ou quatro efetivamente recebem ordenado. Todos os outros pastores, mesmo com formação teológica e devidamente ordenados ao ministério, trabalham voluntariamente em Congregações que não tem recursos.

E a Missão Zero com isto? É o que tenho me perguntado por estas bandas e pergunto a você que está lendo este relato. Nesta manhã ouvi o apelo do diretor do Instituto Teológico pedindo ajuda em questões técnica da Escola bem como de professores. Tenho ouvido o lamento do Secretário Geral da IELA, Pr. Mario Velho que o Hospital da Missão Luterana em Shangalala ( onde devo chegar na próxima semana), há muito tempo não tem médico; que as pessoas mesmo fiéis nas Congregações correm o risco de se dispersarem pois os obreiros precisam gastar muito tempo provendo para suas necessidades pessoais e familiares; que o assédio das Igrejas Neo-pentecostais com suas propostas enganosas de ajuda e sucesso imediato começam a causar estragos e que o Evangelho não tem chegado a muitos rincões, apesar de boa representação de agências missionárias no país. É um campo aberto esperando por quem se deixa mover pelo Ide de Jesus.

Quanto a mim estou feliz e sei que este é meu lugar nestas poucas semanas. Há grande curiosidade das pessoas, sede nas suas perguntas e um brilho contagiante nos olhos. A atenção nos contatos pessoais e palestras é muito grande. Os riscos com malária e febre tifóide existem. A comida é diferente. O banho de caneca é precário. Mas a companhia é simpática. O “obrigadoI” se repete a toda hora. O clima é gostoso ( começou a chover nestes dias por aqui). Que deveria querer mais?

Com meu abraço.

Sergio A. Schaefer

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Noticias Rapidas


O pastor Sergio esteve este mês na Comunidade da Ascensão em Novo Hamburgo/RS, ministrando palestras sobre missão e evangelismo.